Sons de Sonetos

Soneto das Ruas – I

em 6 novembro, 2008
(http://www.guimaspace.blogspot.com/)

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SONETO DAS RUAS – I
(André L. Soares)
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Eu vendo doces, o dia todo, no sinal;
trabalho duro, defendendo o ganha-pão.
É o que me cabe, já que nem sou cidadão…
– Só busco um troco pra tentar não passar mal.
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Têm uns esnobes,… muita grana e coisa-e-tal,
então me humilham, viram rosto, dizem: – Não!…
num gesto brusco, como quem afasta um cão,
porque sou pobre, já me vêem marginal.
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Por isso, agora, vou assumir o que já sou:
um vagabundo, destemido, bicho solto…
que nunca corre nem dos ‘home’, nem da morte,
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metendo o berro, faço as vezes do mais forte,
forçando a barra atrás do meu lugar ao sol,…
pra ver se fujo para sempre desse esgoto!
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Leia também:
Alma de Poesia /Gritos Verticais /Natureza Poética /O Poema de Cada Dia /Poética Herética /Raiz de Cem /Sons de Sonetos

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10 respostas para “Soneto das Ruas – I

  1. CrazyAnge£ disse:

    Realidade de nossas cidades.Belo pensar, belas palavras amigo.Apareça!BeijoTati

  2. Darcy Mendes disse:

    Bonito soneto. Essa é nossa realidade, porém dar dinheiro nas esquinas não acaba com o problema. Na minha fizeram uma campanha intitulada: “Esmola não dá futuro!”. O objetivo da campanha era tirar essas pessoas das ruas da seguinte forma: Ao ver alguém pedido esmolas você ligava para um determinado número e eles se encarregavam de pegar essa pessoa e tomar as devidas providências, seja encaminhando para as instituições ou simplesmente tirando às das ruas, visto que tem muita gente que prefere ficar pedindo esmolas do que arrumar um emprego. Sem contar os pais que exploram os próprios filhos nessa atividade humilhante.O tema é complexo e merece muita atenção de nossos governantes.É preciso separar o trigo do joio, antes que vire joio também.Abraços

  3. Este soneto retrata o que ocorre realmente nas esquinas das grandes cidades.

  4. Vivi disse:

    Triste realidade. Que por enquanto nao afetou minha pequena cidade.

  5. tirar essas pessoas das ruas da seguinte forma: Ao ver alguém pedido esmolas

  6. O BLOG esta de Parabéns….as postagens sempre ótimasabraços

  7. Anonymous disse:

    Linda postagemParabénsUma abraçoRose Nakamura

  8. Horushu disse:

    Com este blog fui amor à primeira vista. Este soneto lembrou-me “O Resto do Mundo” do Gabriel o Pensador. Adorei a tua auto-definição; “rindo do insucesso”! Um abraço, Jorge

  9. Simone disse:

    O melhor de tudo é que é soneto, portanto, um clássico; e, ao mesmo tempo, é moderno na linguagem. Poucos sabem mesclar essas características, de modo a tornar o soneto algo sem ranso, como costuma ser a maioria dos sonetos. Por isso sou sua fã. Beijinhos, meu poeta.

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